Na minha época sequer comentávamos qualquer paradigma, e nem era tão singular, era dicotômica, de uma ou outra resposta, porém sincera. Era a era do pegar na mão, ter tesão e casar.
Vivemos as contradições políticas, que reprimiram vozes e idéias, torturavam e matavam em nome da ordem.
Vivi entre o proibido e a vontade de transgredi-lo. Tínhamos no coração e na mente a possibilidade de um dia ter esperança, de ter a vontade sobre o proibido, e as idéias livres.
Não se faz ideologia e nem bandeira, sem verve política, sem consistência de razão, sem vontade de alguns, sem coesão de propósitos.
A esperança nasceu assim. Lembro (1981) da missa na Igreja da Consolação, que começou a abrir a dureza dos corações militares ante aos metalúrgicos desarmados, desalmados e desacompanhados do colega Santos, morto imbecilmente pela repressão dos mandantes.
Cena histórica e emocionante, eu com meus 25/26 anos, senti minha pele tremer de emoção, ao ver pessoas simples cantando nosso Hino e abrindo caminhos entre armas para que todos pudessem orar pela nação, pelo irmão Santos, que se foi levado pela rudeza do poder. Sequer tínhamos esperança.
A ditadura se foi, junto com alguns companheiros que permitiram termos a liberdade. Nesse roldão surgem figuras e partidos emblemáticos, que se tornam carismáticos, que se unificam na esperança da sociedade por um lugar mais digno.
Quanto poder e quanta vileza, no voto que dei com a convicção de minha história política, na crença de livros que li, de amigos que fiz e convivi. Não faltei a essa mudança.
Qual o quê! Me vejo hoje deparado com cenários inimagináveis. Não é um pano de fundo comparável ao teatro militarístico que nos ceifou parte da vida, mas algo sem comparação, pelo simples fato de ser a esperança que o passado nos legou, e que no futuro demonstrou o caráter da desesperança.
É inadmissível assistirmos passivamente a absolvição corporativista de um ladrão, sob a complacências de um governo que vota de joelho, refém da corja dessa mantra que sempre foi inimiga, e hoje faz o mesmo jogo vil da libertinagem de quem ontem lavou as mãos na torneira ignorante da sociedade.
Não há chafariz que resista, onde águas de diferentes fontes podem aliviar a boca seca, ou matar de vez a sede dos insaciáveis ladrões de meu País. Não vejo luz, é regra, basta recapitular, e os santos pisam firme, de botas na liberdade de seus filhos.
A esperança pariu a desesperança. E viva RENAN! Viva o Governo, pais da criança, parida na orgia do voto eletrônico e secreto.
Renato
Email recebido na minha caixa e enviado por um ilustre desconhecido. Mas faço minhas as palavras dele.