Na ausência do poder público e na impossibilidade das associações não-governamentais darem conta do enorme número de pobres e miseráveis que passam a noite de natal como qualquer outra noite, a sociedade civil se une na tentativa de dar a essas pessoas uma noite de natal digna.
São centenas de pessoas, funcionários públicos, donas de casa, estudantes, muitos deles da classe baixa, que nesta época do ano se reúnem e bolam estratégias para coletar roupas, brinquedos, lençóis, alimentos e fazer com que isso chegue pra quem realmente mais precisa.
O primeiro personagem de hoje é a Dona Fátima, líder comunitária da Terra Firme, bairro conhecido pelo alto índice de criminalidade e praticamente abandonado pelo poder público. Mesmo com muito pouco para si, a Dona Fátima mobiliza dezenas de pessoas para coletar o que é preciso para melhorar o natal da multidão de crianças descalças que perambulam pela área, à mercê da própria sorte. Porque pra Dona Fátima, essas crianças merecem um natal tão farto quanto qualquer outra criança, com direito a presente, comida, e cama quentinha no final da noite. É preciso voltar os olhos para essas crianças, ou todos pagaremos muito caros por isso: o estado, o comércio, a sociedade como um todo.
Não basta lamentar, mova-se!